Não sei há quantas horas a água corre. Deixo que o vapor envolva o espaço e só depois entrego o corpo à torrente. Entro de olhos fechados e procuro a água com os dedos flectidos. Continuo de olhos fechados e com as mãos percorro os cabelos até à nuca e sinto a água pingar mais forte na curva das costas. Suavemente levanto um pé e deslizo a ponta dos dedos pela perna, quase dançando uma valsa até ao calcanhar. Abro os olhos e o vapor rodeia-me. A água está demasiado quente mas a dormência dos membros obriga-me a manter-me assim. Volto a fechar os olhos. Entras…
…é fazer um blog… principalmente com textos…
Quente. Sempre quente.
Húmida. Húmidos.
Os dedos cobertos de néctar criam membranas interdigitais que a língua bebe. Lambe. Sorve.
Os lábios renascem quando dedilhados. Quentes. Volumosos. Ardentes pululam. Ávidos de estímulos. Do toque firme e suave. Brusco e ardente.
Sempre quente, escorre pela pele uma cascata de fluidos. A saliva confunde-se e mistura-se com o suor.
Os mamilos rijos, hirtos, arrepiados clamam pela firmeza das mãos, dos dentes, dos dedos, dos lábios, do fio de saliva…
As mãos suadas deslizam uma na outra como que conformando-se com a espera e as dúvidas.
Raros foram os momentos em que humidade se apoderava de todos os seus gestos. Só poderia ser por estar na sua presença.
“Limpa aqui” disse-lhe. E ela tocou mesmo sabendo que ao fazê-lo iria baixar toda a sua guarda. Mesmo assim acedeu sem temer nem temor.
O receio e a ansiedade metaforicamente transformados no suor das mãos, surgiam por saber que ele via muito para além da armadura de ferro.
A forma como sempre intimidou quem tentava aproximar-se servia como que um escudo para se proteger.
No fundo era tímida e muito fechada sobre tudo o que tinha debaixo da pele.
Na realidade nunca deixou que o coração falasse mais alto e destruiu tudo o que existia à sua volta quando via os sentidos toldados pela paixão.
Sempre soube que assim a dor era menor. Até poderia não ser verdade mas para si essa realidade era um dogma. Sempre viveu assim.
Presentemente, é certo que a ansiedade diminuiu e o medo amainou. Não existem muralhas ou fortalezas talvez, também, porque ele soube conquistar cada batalha embandeirando todos os seus passos.
Mas o medo persiste e é uma constante.
Medo de deixar de olhar para a Lua.
Medo que as rimas e os versos deixem de se construir.
Medo que os girassóis virem costas aos paralelos que os atravessam.
Medo, principalmente, de olhar à sua volta e não ter tecido para limpar o suor das mãos.
…ansiosa por andar nua pela casa e por sentir o cheiro das estrelas deitada no terraço.
De me inspirar na maresia e respirar o aroma da aridez do campo.
Estou cansada de me encolher e da tensão nos ombros, do pescoço sempre coberto e do frio da pele.
Tenho saudades de fechar os olhos com a luz do Sol e dos tons dourados na tez.
Apetece o descomprimir do corpo e a ânsia dos fins de tarde, o pôr-do-sol com véu de calor e a brisa quente nos cabelos.




