…quando não escrevo aqui.
É um ciclo vicioso do qual já não me consigo libertar.
O que vale é que a sensação acaba sempre por ser boa.
Melhores dias virão…também aqui.
…escrever um poema.
Um poema que falasse da Lua e dos cortinados e do cheiro dos lençóis.
…que reflectisse a intensidade do desejo e descrevesse a importância e o valor da ombreira da porta.
Um poema que tivesse sabor…doce, suave mas intenso.
Que cheirasse a lírios e a orquídeas e tivesse a brisa da noite. Desta noite.
Se eu pudesse escreveria um poema que daria a letra de uma música.
Uma música que, sem se decorar, se soubesse sempre na memória desde a primeira vez que se ouvisse.
Falava de um abraço laço, de um beijo quente, de um sorriso sempre presente e de uma gargalhada que libertasse e camuflasse a peso da ausência ou da saudade.
Se pudesse escreveria um poema sobre o que sinto que é impossível definir numa palavra tão pequena, tão simples e tão universal como a palavra amor.
Está estranho o céu. Parece que vai cair. Está pesado. Pesa-me nos ombros. Quase me verga o pescoço.
Chega a doer por entre os ossos e os músculos. Está estranho. Demasiado escuro ao fundo. Com nuvens baixas. Vermelhas e amarelas. É das luzes. Ou não. Cheira a humidade. Parece que choveu. Não dei por isso.
Cheira a terra molhada. Os vidros estão molhados. A pele parece viscosa. Fica fria sobre o sangue quente.
Gosto desta sensação. Um calor húmido a poucas horas da Lua Cheia. Está escondida. Mas eu vejo-a. Sei precisamente onde ela está a cada hora da noite. Todas as horas da noite que são quase o meu dia.
…de sentir água fria nos pés. E também no corpo. É uma questão de hábito. Os banhos frios. Às vezes despertam. Noutros casos são uma autêntica tortura. Gosto das duas formas. Desde que tenham sempre água fria. Não é gelada. É quase. No limbo. Gosto especialmente de não me secar totalmente e hoje gostava que o meu quintal ou o meu terraço fossem num deserto para poder oferecer as gotas geladas que tenho no corpo à luz da Lua.


