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Sentidos

27 Novembro 2009

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Todos os sentidos são poucos para se descobrir.
Pelas palmas das suas mãos desliza o seu corpo, o corpo dele e perfuma com o seu aroma todos os recantos da pele, da pele de ambos. Gosta de divergir entre os dois corpos como se um fosse a continuação do outro. A mão resvala do ombro másculo para o seu seio, da sua coxa vasta para os glúteos dele que aperta com firmeza. Com a ponta dos dedos gosta de recolher a saliva dos lábios e tocar suavemente nos mamilos desenhando pequenos círculos. Mergulha todo o seu corpo no anseio de recolher as torrentes aninhadas nos lençóis. Descobre o silêncio. O silêncio do mundo. A inexistência única de qualquer ruído. Até os pássaros emudeceram. Foi como se tudo à sua volta pairasse no ar. O som único dos seus batimentos cardíacos e a respiração ofegante escutada pelo interior levam-na a acreditar que os sentidos são mais do que conhecia. Não se abandona. Fica. Permanece concentrada unicamente naqueles sons. Seus. E concentrada no emudecimento que persiste à sua volta, até que o mundo ganha novamente as cores e os sons de sempre e o seu corpo volta a assumir a sua forma nata.
Todos os sentidos são poucos para se descobrir.
O silêncio e a voz longínqua mergulhada nas ondas do seu mar dão um novo sentido ao prazer dos seus corpos.

Gosto de encontrar…

26 Novembro 2009
Foto: Tiavir

Foto: Tiavir

…vestígios enquanto os objectos e os tecidos retomam os seus lugares.
Fecho os olhos e recupero os segundos em que apenas o respirar ofegante e o bater acelerado do coração eram os protagonistas.
Talvez escreva um conto…tenho demasiadas frases pendentes.

Saudades do tom de pele

24 Novembro 2009
Foto: XX

Foto: XX

Directo ao coração

23 Novembro 2009

Há alturas em que gostava de viver apenas do coração. Dos momentos imediatos. Não construir memórias. Ignorar a alma ou o espírito. Alimentar-me apenas de cada batimento. Dando tudo de mim a cada segundo. Segundo esse que era passado no segundo seguinte não deixando qualquer marca, nem em mim, nem em ninguém. São raros os momentos em que assim penso. São muitas vezes aqueles em que a tristeza se abate e pouca vontade tenho de encontrar animo para seguir em frente. Mas há também aquelas alturas em que o espaço em mim é pouco para albergar o desejo, o amor e a vontade de atitudes inconsequentes. É como o orgasmo. É tão bom o caminho até ele que, por vezes, protelamos alcançá-lo. Mas são apenas pequenos instantes em que assim penso. E depois…basta-me fazer café, deixar que os aromas se espalhem e com eles venham as memórias. Imagens, frames, conversas, mãos e palavras, convites explícitos e histórias intermináveis. Tenho recordações incríveis e uma memória extraordinária para os aromas e a todos eles junto um sabor, e só depois vem o calor do gesto ou a doçura do olhar.

Momentos Meus

22 Novembro 2009
Foto: Parker Fletcher

Foto: Parker Fletcher

É um cliché de domingo…

22 Novembro 2009
Foto: Pascal Renoux

Foto: Pascal Renoux

…mas pouco mais se pode fazer numa tarde destas.
Saboreiam-se as palavras que se ouvem na mente e as que se lêem e passa-se o tempo sem que o escurecer perturbe o silêncio.