Árido

17 Maio 2012

Foto: Sfi Gae

Quase não se suporta. É cada vez mais intenso. Mais envolvente. Começa por ser suave e acumula-se no pescoço e nas palmas das mãos. Depois escorre para o peito e verte para o umbigo. Expande-se por todo o corpo e já não há célula onde não se sinta. Os lábios, sedentos, estão sempre a apelar para que a língua os molhe, ou que umas gotas de água os sacie. As extremidades aquecem e atingem temperaturas quase insuportáveis. Depois difunde-se por todo o corpo e erradia um brilho especial. Cada gota transporta um arco-íris e cria uma moldura única em toda a pele. Apetece uma simbiose com o mar e assim saciar de vez este calor.