Azul

13 Novembro 2009

Era azul. Escuro mas não muito. Rectangular. Talvez um metro e meio por 70 centímetros. Não era imponente mas tinha uma grande presença. Quando o vi pela primeira vez encantou-me. Falou-me em silêncio. Bastou-me olhar uma única vez. Continuei a ver o resto da sala. Não precisei de o olhar mais nenhuma vez mas sentia a sua presença. Aliás, desde aquele momento que tenho aquela imagem em mim. Era azul. Escuro, mas não muito. Tinha umas ondas suaves, quase imperceptíveis. Amei aquele tom. Trouxe-me outros tons de azul que adoro. É a minha cor favorita. Mas não foi apenas pela cor que me senti conquistada. No centro tinha um pequeno rectângulo branco. Ou seria cilindro? Não me recordo bem, mas não tinha as linhas muito direitas. Era nitidamente um farol que ali estava. Ou seriam apenas os meus olhos? Um ponto branco no meio daquele mar azul. Entrei ali. Mergulhei, nadei sofregamente, voltei a mergulhar e mantive-me em apneia talvez até agora que escrevo sobre ele. Não me senti nadar em direcção ao farol. Eu era o farol. A apneia era trazida pelas ondas altas que por vezes me tiraram o fôlego. Não desbravo o mar, nem me sinto lutar contra ele. Eu sou apenas um ponto na imensidão daquele azul maravilhoso. Sustenho a respiração sempre que o mar quiser. Faço-o tranquilamente. Mesmo que por vezes seja quase insuportável. Mas vale a pena. Vale sempre a pena. Porque o ar é da cor do céu. Azul como o mar.