Foto: João Espinho
Vivo rodeada de cardernos.
Uns servem para levar para reuniões, outros (muitos) uso-os para escrever tudo o que me vai na alma e tenho também um Moleskine.
Os cadernos andam comigo por todo o lado, juntamente com a agenda.
A maior parte deste cadernos não têm coerência de uso.
Tanto começo hoje uma história num como a termino amanhã num outro completamente diferente. Chamo-os de “indefiníveis”.
Mas com o Moleskine é diferente. Nele escrevo decisões e certezas.
Para falar verdade, desde o dia 23 de Setembro que não escrevia nada naquelas suaves folhas ocre.
Reabri-o ontem à noite para escrever este texto.
Tomei uma decisão. Foi difícil e morosa porque nunca decidi nada na minha vida de ânimo leve.
Passaram-se dias (muitos), ouvi os meus pais e aqueles que tenho próximo.
Depois quis ficar só e isolar-me do mundo por alguns momentos até que na minha cabeça se fizesse um click. E fez.
Frente ao espelho, mãos firmes na bancada em posição de segurança saiu-me impulsivamente uma frase como se me tivesse saído de dentro sem que eu tivesse feito por isso.
Esse momento fez-me perceber que temos que saber tirar partido dos momentos difícieis. Servem para nos abanar e acordar para que possamos ver as coisas com outros olhos e assim sermos mais fortes na recuperação.
Sempre ouvi dizer que onde a justiça impera não são necessárias armas. E vou apenas continuar a pessoa que sempre fui porque se mudei foi para melhor: mais madura, mais atenta, mais forte.
Vou seguir o caminho que tracei, se aparecerem obstáculos, porque muitos vão aparecer, superá-los-ei porque a vida é como um labirinto e só chega ao final quem tem o poder de se elevar para ver o circuito que nos leva à saída. E isso já eu fiz.
“de nenhum fruto queiras só metade”!
Sei que vais vencer as injustiças.