Chuva

3 Março 2010

Foto: Vadim Stein

Ela não pára. Continua incessante sem se preocupar minimamente se dói ou não sentir as suas gotas tocarem na terra já devastada por tanta imensidão.
Ela insiste em permanecer sobre o olhar e sobre o peito, nem as duas mãos chegam para a aparar.
Ela cai em todo o lado. Por entre tudo e todos, sem controlo ou dominação. Já não se contém.
Ela cai porque a negritude das nuvens é constante e surge sempre que uma fresta de luz arrojada tenta surgir. No horizonte avista-se apenas o breu.
As palavras ajudam a esquecer a insistência com que ela surge mas creio que resta apenas conformar-me que, por enquanto será farto de lama e salteado de poças de água o caminho que farei até que lá longe os raios de sol surjam com força a rasgar as nuvens.