Há demasiado…

2 Janeiro 2010

…tempo que não escrevo um poema. Semanas? Meses? Não faço ideia. Não tenho o tempo medido mas sei a angústia que sinto por não conseguir escrever versos. Tento mas não construo nada que faça sentido. Apago. Mas as frases ficam-me na pele e não me esqueço delas. Também não escrevo contos. Imagino as histórias mas não as reproduzo. Sinto que cada vez me desvinculo mais da escrita pública. Não gosto dos seus efeitos e das suas repercussões. Aos poucos vou caminhando mais na vida real e é também aos poucos que vou abandonando o falso glamour criado em volta da virtualidade da vida. Já não leio outros cantos que tinha escolhido como favoritos. Já não lhes sigo o rasto, nem tenho qualquer tipo de curiosidade em saber como estão. Essa quase arrogância surge porque não encontro explicação para as pessoas quererem ler algo escrito por alguém que não conhecem, nem sabe se a assinatura dos textos corresponde a quem os escreve. Apenas porque escreve bem ou porque tem uma vida minimamente interessante? A mim já não me chega isso. No Aliciante cada vez escrevo menos textos intimistas. Os poemas ou os contos reservo-os para os cadernos porque nunca tive o arrojo de mostrar a minha escrita ou os meus estados de alma. Embarquei numa moda na qual já não adequo. É como querer vestir a minha pele com roupas que já não me dizem nada. Aos poucos vou fechando o baú. Nunca será definitivamente. Há já dois anos fechei a porta deste espaço a quaisquer comentários e isso ajudou-me a desinibir-me mas são já várias as vezes em que me pergunto para que é que isto serve? Porque razão hei-de eu querer ficar angustiada quando passam dias sem aqui deixar mais do que apenas imagens? De que serve alimentarmos algo que já não nos dá prazer?
Mais uma vez vou tentar contrariar tudo isto…estas dúvidas e estas certezas e obrigar-me a escrever…mesmo que sejam coisas parvas e sem sentido, se bem que para mim farão sempre algum sentido…