Há razões para tudo…

18 Fevereiro 2010

…principalmente para os estados de espírito.
Todos têm uma razão de ser.
Mas de repente, sem esperar, sente-se o sangue esvair-se pelos cantos da alma.
Sem esperar. Sem querer. Sem conseguir contrariar. Sem meios e argumentos. Sem forma. Nada.
O sangue regressa quente quando se pensa que para tudo há uma razão. Mas vem morno. Turvo.
Vêm as perguntas.
A força contraria as dúvidas.
Não é o caminho que se quer seguir.
Paira-se no ar até que finalmente se sente frio e se retoma a forma de concha.
Vem a angústia e a raiva. A ira.
Mas ao longe ouve-se o esvoaçar magistral.
Espreita-se o horizonte e vislumbra-se o voo ancestral da Fénix. As asas paralelas ao chão dançam suaves trazendo consigo as raízes que marcam a terra.
Ainda no ar desfaz-se em cinzas e em seguida renasce. Transforma o Sol num girassol e a Lua num moinho com as velas desfraldadas.
Nas mãos o suor, no peito ao ardor, nos lábios a saudade e na alma o amor.