As mãos suadas deslizam uma na outra como que conformando-se com a espera e as dúvidas.
Raros foram os momentos em que humidade se apoderava de todos os seus gestos. Só poderia ser por estar na sua presença.
“Limpa aqui” disse-lhe. E ela tocou mesmo sabendo que ao fazê-lo iria baixar toda a sua guarda. Mesmo assim acedeu sem temer nem temor.
O receio e a ansiedade metaforicamente transformados no suor das mãos, surgiam por saber que ele via muito para além da armadura de ferro.
A forma como sempre intimidou quem tentava aproximar-se servia como que um escudo para se proteger.
No fundo era tímida e muito fechada sobre tudo o que tinha debaixo da pele.
Na realidade nunca deixou que o coração falasse mais alto e destruiu tudo o que existia à sua volta quando via os sentidos toldados pela paixão.
Sempre soube que assim a dor era menor. Até poderia não ser verdade mas para si essa realidade era um dogma. Sempre viveu assim.
Presentemente, é certo que a ansiedade diminuiu e o medo amainou. Não existem muralhas ou fortalezas talvez, também, porque ele soube conquistar cada batalha embandeirando todos os seus passos.
Mas o medo persiste e é uma constante.
Medo de deixar de olhar para a Lua.
Medo que as rimas e os versos deixem de se construir.
Medo que os girassóis virem costas aos paralelos que os atravessam.
Medo, principalmente, de olhar à sua volta e não ter tecido para limpar o suor das mãos.
5 Fevereiro 2010
