Tenho medo. Há anos que não sentia este medo. Um medo terrível da vulnerabilidade. De irreversibilidade das palavras e dos actos. Medo de não saber fechar os poros e deixar transparecer os meus receios. Já tive a prova de que não o sei fazer. Espero conseguir aprender. Tenho medo que uma palavra seja suficiente para desmoronar tudo. Tenho medo de não ter tempo. Hoje fechei a minha conta no facebook e eliminei a lista dos links no blog. O msn há meses que não o ligo e nem sei se me recordo da password. Não tenho tempo para a virtualidade da rede. Os meus amigos estão à distância de um email ou de um telefonema e saberão perdoar-me. O Aliciante vai manter-se e manter-se-à sempre. É um espaço privilegiado onde posso gritar o quanto amo ou o quanto desejo. Aqui voltarei sempre. Apesar de menos amiúde. Tenho medo das memórias do passado que revivo agora mais que nunca. Tenho medo de sentir a maré a chegar com vagas altas, negras e espessas. Tenho medo. Não sei se é um medo natural mas creio ser normal principalmente pelas cicatrizes que tenho debaixo da pele. Por vezes um palavra basta para sentir que tudo se desmorona. Espero conseguir gerir este meu medo. Sozinha sei que não serei capaz.
15 Março 2010
