Mito

2 Setembro 2011

Já não se escreve quando as palavras faltam.
Ficam escondidas nos nós dos dedos e nas dobras das mãos. Fervilham apenas na mente e no sangue e vagueiam por toda a alma quase que elevando o corpo. Umas ficam presas nos lábios. Outras nas pontas dos dedos. Outras vou deixando nas pedras da calçada ou nas pegadas na areia. Há palavras que escrevo ainda na espera tardia da vida demorada. Cerro os lábios e os olhos. Prendo as lágrimas. Não vale a pena. A alma desprende-se do corpo e solta no éter todas as letras. Não vale a pena guardá-las ou aguardá-las. Não sou donas delas. Não sou dona de mim.