24 Agosto 2010
Está estranho o céu. Parece que vai cair. Está pesado. Pesa-me nos ombros. Quase me verga o pescoço.
Chega a doer por entre os ossos e os músculos. Está estranho. Demasiado escuro ao fundo. Com nuvens baixas. Vermelhas e amarelas. É das luzes. Ou não. Cheira a humidade. Parece que choveu. Não dei por isso.
Cheira a terra molhada. Os vidros estão molhados. A pele parece viscosa. Fica fria sobre o sangue quente.
Gosto desta sensação. Um calor húmido a poucas horas da Lua Cheia. Está escondida. Mas eu vejo-a. Sei precisamente onde ela está a cada hora da noite. Todas as horas da noite que são quase o meu dia.