São duas da manhã…

24 Julho 2010

Foto: Madalena Palma

…e estou agarrada a isto. A este e a outros. Não tenho sono e enquanto troco mensagens com quem faz da madrugada a jornada de trabalho, navego por mares que há já algum tempo não navegava. Tenho as luzes apagadas e as janelas abertas. As velas iluminam pouco. Acendi poucas. A lua está quase cheia. Magnânime. A sua luz entra sem pedir licença. Esta é também a sua casa. Tenho lido algumas viagens de outros caminhantes. A ânsia das férias confunde-se com as angústias da vida. O que nos leva a gritar aqui ao mundo que nos lê o quanto temos cá dentro? Noutros tempos deixaria aqui o que me vai na alma e o quanto têm pesado estes dias, e são quase noventa. Mas não vale a pena. Quem me lê não muda o rumo das coisas e quem pode mudar não merece ler-me porque nada faz. É por isso que desisti de deixar aqui muito dos meus estados d´alma porque deixei de acreditar nas pessoas que vivem fora da muralha que constrói a minha vida.