
Foto: Thorsten Jankowski
…de frustração por ter sentido o dia passar e não conseguir retirar nada dele. Como se quisesse espremer e não saísse nada, nem ar.
Tudo ficou por fazer, os mails que não se responderam, as chamadas que não se retribuíram, as mensagens que obtiveram respostas inócuas, as conversas que ficaram aquém, as risadas que ficaram por dar, as cumplicidades que se perderam no caminho, as horas que passaram lentas, as unhas que ficaram vincadas nas palmas das mãos para controlar a raiva de não conseguir contornar a nuvem negra que teima em se manter. Quase que se consegue ver mas afinal mais não é que aura da alma.
Às vezes há dias assim onde sei que nem o sono me quererá ofertar o momento merecido.
Às vezes é assim, este feitio execrável que me faz empurrar para longe tudo e todos, onde por mais que tente, não proporciono espaço para fazer alguém caber.
Às vezes é assim, de Fénix passo a Concha e revivo um mundo só meu.
Um mundo onde os poemas se escrevem no verso de bilhetes e papéis perdidos na carteira e se jogam fora sem qualquer sentimento de pena. Contornar isto não é fácil. Às vezes basta imaginar a melodia da palavra que não se ouviu ou que não se disse, ou simplesmente esperar.