Não sei bem o que é isto do amor nem da paixão, nem das mãos espessas e imensas que me provocam o desejo de curvar o torso tornando-me numa oferenda. Não sei bem como é possível parametrizar numa única palavra sentimentos como o amor ou a paixão, o desejo e a vontade ou a saudade. Será apenas saudade o aperto que se sente quando a ausência é imensa e a distância parece não ter fim? Será apenas saudade que se sente? Se o sentimento é imenso como é possível reuni-lo numa única palavra? Será apenas amor quando os olhos mareiam com a surpresa ou quando o abraço laço se sente cobrir todo o corpo? Será na palavra paixão que está acoplado o suor das mãos, o arrepio na pele, o sorriso que dá a volta e o verde-mar brilhante do olhar? Estas palavras deveriam ser difíceis de pronunciar, e deveriam ser ditas unicamente quando é verdadeiro e puro o sentimento. Vulgarizá-las é retirar-lhes o brilho. É por isso que o silêncio é o único “vocábulo” que brinda os meus lábios quando é imenso o que sinto.
27 Março 2010
