A brisa trazia sussurros que falavam de ti… fechei os olhos e deixei-a acariciar-me o rosto, o peito, as mãos…
Por entre os dedos passava esguia, suave e ondulada como os teus cabelos. Foi neles que me demorei a escutar ou apenas a relembrar…
Por vezes eram sopros curtos como beijos roubados, outras longos como murmúrios, que assim directos ao rosto me faziam suster a respiração, claro que era sempre que te pensava mais triste, e aí era como se o ar revolto me quisesse arrepiar a pele, era como se me dissesses “ não percebes que estou bem…?”
Depois ficava a calma e deixavas o teu aroma para eu inalar de um fôlego, que retinha até à exaustão.
Foi um vai e vem que não quis parar, provoquei, deixei-me arrebatar, mas segurei sempre nas minhas mãos aquela brisa esguia, suave e ondulada que nos ligava, e deixei-me ficar naquele torpor pela noite dentro enquanto revisitámos memórias…
13 Julho 2010