Viagem

15 Janeiro 2012

Foto: Sfigae

Às vezes apetece-me entrar por aqui de rompante como tantas vezes entrei pela vida e largar as palavras duras que por vezes me rasgam o peito, a alma, a ponta dos dedos. Outras vezes passo por aqui e releio apenas textos antigos e aliso os lençóis, ajeito as cortinas, mudo a água às flores e volto a fechar a porta serenamente. Sou assim com tanta coisa. Talvez seja assim com tudo, mas não se nota. Já se notou. Agora prego os pés ao chão, por vezes nem os vejo tão submersos de areias que se encontram e desço vários decibéis ao tom de voz e atribuo melodias aos pensamentos e sigo em frente, muito lentamente. Vivo nos cantos, nos vértices, nas sombras das árvores, bebo do rocio, sacio-me nas raízes. Não revivo memórias áridas e infecundas. Deixei-me disso quando me apercebi que eram âncoras presas a lamas. Aos poucos tenho conseguido libertar-me de algumas. Vou ganhando amarras que me fortalecem a minha estrutura. Todos somos talhados para grandes feitos…há que saber o que fazer com as ferramentas que encontramos em nós.